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terça-feira, abril 08, 2008

"O Velho e o mar"

Aqui fica uma animação de "O velho e o mar", de Ernest Hemingway, por Aleksandr Petrov.



terça-feira, fevereiro 19, 2008

Portugal vai reconhecer Kosovo "na altura própria"

Os analistas dizem que será algures entre o momento em que o PM baixar as calças e o momento em que as voltar a subir.

quinta-feira, outubro 18, 2007

A DROMOLOGIA, O AUTISMO E O PODER

A Dromologia, termo proveniente do grego “dromos”, é a ciência ou lógica da velocidade. Baseia-se no facto de que o acontecimento sofre alterações na sua própria estrutura dependendo da velocidade a que se dá.

As guerras actuais, a fome, a morte escandalosa dos outros, já não nos afectam mais como antes dos meios de comunicação de massas nos manterem actualizadamente informados, principalmente pelas imagens à velocidade da luz, de tais factos. O acontecimento deixou de produzir em nós o efeito de choque e de surpresa que produzia outrora. Vivemos na sociedade do tédio e contudo nunca antes a sociedade foi tão cheia de acontecimentos. A nossa sociedade existe à escala global, onde permanentemente somos informados de tudo o que de supostamente relevante se passa em qualquer coordenada geográfica do globo terrestre. Mas esta velocidade e quantidade a que a informação chega até nós vacinam-nos contra a própria essência do conceito “acontecimento”. Ele mesmo deixou de o ser à partida porque se encontra desvirtualizado da sua própria definição.

Neste jogo de velocidade a que o facto acontece, gera-se uma hierarquia de poderes. Segundo Paul Virillo (Speed and Politics: An Essay on Dromology. New York: Semiotext(e), 1977 [1986]) o que se move rapidamente ganha poder sobre o que se move lentamente. A Posse, o poder, diz mais respeito a questões de controle de circulação e movimento, do que de contratos e escrituras. Quem se move rapidamente adquire o poder. Pelo contrário quem está parado, perde-o. E quem domina a velocidade igualmente, adquire o poder e vice-versa. Esta é a grande explicação para que os mass-media detenham o poder que detém actualmente. Eles dominam o poder de transmitir o “acontecimento” à velocidade da luz.

Mas isto não se passa sem o efeito perverso apontado anteriormente – o efeito da velocidade ser tão grande que faz com que o próprio objecto perca o seu impacto, e consequentemente a sua importância na sociedade. Dá-se assim lugar a uma nova hierarquia de importância de acontecimentos baseados numa nova escala de valores morais. Porque estando o acontecimento distante do espectador, este não é afectado de modo directo pelo primeiro. A vida humana singular, alvo da maior importância no passado, perde valor em proveito de factos muitas vezes despersonalizados de conteúdo mais ou menos pertinente para a sociedade em geral. Mesmo quando a vida humana está em questão, são normalmente as questões de coscuvilhice mesquinha que despertam a curiosidade do público. Tornamo-nos espectadores da morte e da desgraça alheia. E nisso, a única coisa que nos importa é saber o enredo do caso, como se de um livro policial se tratasse, para comentar com o colega do lado no emprego. O aspecto catártico deste fenómeno não pode ser descurado. Emitimos as nossas opiniões sobre o caso, afirmamos os nossos juízos de valor, realizamos todas as nossas catarses, mas não nos preocupamos com o que verdadeiramente está em causa – o sofrimento alheio. Nada nos diz. Este actual autismo do espectador resulta portanto da rapidez, quantidade, e modo de informação que lhe chega diariamente. E esse autismo é simultaneamente a sua defesa para se tentar manter equilibrado. Face ao movimento rápido da sociedade, o homem actual não consegue processar emocionalmente toda a informação que lhe chega porque isso lhe traria o colapso nervoso. Necessita portanto de se manter afastado emocionalmente dos acontecimentos para manter o equilíbrio e prosseguir a sua vida normalmente. Esta serenidade e impavidez face à morte, à desgraça alheia, resulta numa dormência verdadeiramente autista e esquizofrénica, mas que é a solução psico-social encontrada pelos indivíduos para o problema. Assim se geram seres humanos passivos, completamente controláveis pelo poder instituído. E há que dizê-lo: existe um aproveitamento pelo poder deste estado de letargia social. É através dele que o próprio sistema político e económico se mantém sem grandes interferências da população vencida além do mais pelo cansaço de se manter equilibrada face à velocidade da História.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Reflexões sobre o fundamentalismo islâmico e o multiculuralismo Ocidental

O fundamentalismo islâmico [sunita], baseado como todos os fundamentalismos, numa leitura literal e manipulada dos livros sagrados, pode ajudar-nos a perceber e sentir aquele que foi o fundamentalismo cristão da Idade Média.
A partir do séc. IV/V, o esoterismo operativo do mundo ocidental perdeu-se, resultante da decadência do Império Romano e concomitante repressão religiosa, de tipo totalitário encetada pela nova religião oficial - um cristianismo ortodoxo (orto - recta; doxa - opinião) que nunca pretendeu renovar o ciclo anual das festividades, mas sim acabar com todo o culto não cristão (e ainda que se tenha absorvido muito das antigas práticas, perdeu-se a raiz esotérica desses cultos e dos simbolos a eles agregados, além de que se diabolizou toda a tradição pré-cristã do ocidente).
A perda, rejeição e diabolização do pensamento esotérico afectou, inclusivé, a área científica. Houve uma regressão profunda. Por exemplo, a esfericidade da terra encontra-se referenciada em muitos textos sagrados de povos antigos como no Popol-Vuh do antigo México pré-colombiano. No mundo clássico era afirmada por Pitágoras, Platão, Aristarco de Samos, entre muitos outros. Erastótenes calculou mesmo experimentalmentee o perímetro da terra, errando apenas em cerca de 200 quilometros. Contudo, essa teoria foi considerada pela corrente que vingou da Igreja Católica, como "falácia inventada pelo Diabo".
Ora, vivem-se tempos actuais em que esta incapacidade para aceitar o "Outro" está particularmente dinamizada pelo ódio de certos povos às culturas estrangeiras. Os motivos serão vários, sem ou com razão. Mas o problema é demasiado grave e requer mais do que meras opiniões e estudos laterais. Requer trabalhos antropológicos sérios sobre o tema.
Não poderemos no entanto fixar-mo-nos apenas de um lado da questão, e procurarmos somente as razões que levam umas culturas a odiar as outras, as quais desenvolvem muitas vezes complexos de culpa levando-as à submissão total face à raiva e agressões das primeiras. Quero com isto dizer que, respectivamente ao fundamentalismo islâmico, os ocidentais não podem continuar numa posição de "agachamento" face às agressões que vai sofrendo. Se o Islão requer entendimento, de igual forma as culturas ocidentais o necessitam, até porque já foram sobejamente agredidas no passado pelas sucessivas aculturações resultantes das invasões históricas que sofreram.
O multiculturalismo parece-me ser uma fórmula demasiado simplista e errada de resolver o problema, já que verdadeiramente não agrada a ninguém - nem ao Ocidente; nem ao Oriente. É precisamente contra a aculturação levada a cabo pelo Ocidente que o fundamentalismo islâmico se insurge. Eles não querem a roupa, nem os objectos, nem a comida, nem as ideias nem a religião do Ocidente. E estão no seu direito. Têm razão porque querem fazer prevalecer a sua identidade cultural. Mas e o "Ocidente"? esta mescla de estéticas já sem significação cultural própria de raiz? que dizer da atitude que se tenta cultivar nos povos europeus, por exemplo, onde um mesmo sujeito mistura em si comportamentos miscigenados e importados de vários pontos do globo, com os quais não tem nenhuma afinidade cultural, a não ser aquela que é veiculada pelos média? A aculturação dos ocidentais pelo "Oriente" está a ser levada a cabo desde que os contactos entre ambos se iniciaram. Há séculos que isso acontece. E isso foi positivo no enriquecimento do património cultural de todos, parece-me. No entanto, a forma massificada como isso se processa actualmente e a veemência com que o Oriente se impõe no contexto europeu, obrigando os ocidentais a conviver diariamente com hábitos de culturas estrangeiras, nunca trouxe perspectivas tão catastróficas para o seu futuro. Não pretendo sequer desenvolver a tese demográfica e genética que aponta mesmo para um desaparecimento total dos europeus em substituição de descendentes cada vez mais multi-raciais. Mas essa é uma das muitas questões que nunca são seriamente encaradas e que pelo contrário permanecem veladas à nossa consciência devido aos nossos complexos históricos ainda resultantes do nosso passado recente.
E porquê defender uma identidade cultural própria? Do mesmo modo que as pessoas necessitam de ter um passado em que se reconheçam, assim é também com as culturas, pois é pelo nosso passado que tiramos lições para o futuro. Aprendemos com as nossas experiências, reconhecemos o nosso rosto nos traços faciais dos nossos pais, sabemos o que herdamos de positivo e agradecemos-lhes por isso. A História fundamenta o presente. Saberemos quem somos, se não soubermos de onde viemos? Certo: não temos de viver de acordo com o nosso passado. Mas teremos de reconhecê-lo sempre que nos quisermos afastar dele. De um modo ou de outro, precisamos sempre das nossas tradições, dos nossos costumes, da nossa língua, da nossa forma de pensar, por todos os motivos indicados e, ainda, porque quando todos formos iguais ao "Outro" não vai haver "Outro" no mundo. Isto leva-nos à questão da massificação, que é em ultima instância aonde o multi-culturalismo nos conduz. o Multiculturalismo não é a aceitação do "Outro". É o seu desaparecimento, a sua morte. O "Eu" vai imperar sobre a Terra como um mar imenso de gente com o mesmo nome. Mas não vai ser o "Eu Ocidental" ou o "Eu Oriental" que vai ganhar esta guerra. Vai ser um "Eu" novo, sem passado, sem raiz, sem identidade verdadeiramente fundamentada. Vai ser uma "coisa" criada pelo poder que desde já está a ser posto em marcha pelo poder político. O Homem Novo, não vai saber de onde veio, nem para onde vai.


domingo, julho 29, 2007

A Espiritualidade Ocidental

Se as conversas são como as cerejas, as ideias não lhes ficam atrás. A ideia referida no ultimo post da Biblioteca de Alexandria – O arquivista I, que supõe que mitos e lendas ficam marcados nas estruturas arquitectónicas das cidades (mortas e vivas) lançou-me num novo texto. Trata-se disso mesmo – da forma como o aspecto religioso e espiritual marca a materialidade, ainda que esta tantas vezes se escude atrás do puro materialismo, positivismo, cientismo, e outros ismos cuja fundamental função é retirar à carne o espírito, e fazer com que o barro se articule sem o sopro divino.

Ora, a sociedade ocidental é erradamente, e muitas vezes, conotada com esta materialidade desenfreada. Na verdade este materialismo é recente, e ligado à primeira revolução industrial iniciada no século XVIII em Inglaterra. A sociedade ocidental sempre teve a sua espiritualidade extremamente desenvolvida. Abundam em arquivos e bibliografia os mitos, as lendas, os contos populares das sociedades tradicionais do ocidente, embora estas estejam politicamente condenadas a desaparecer. O que quero dizer é que essas histórias e lendas, começam a deixar de ser transmitidas de geração em geração, por motivos que se ligam menos às crenças e vontades das pessoas do que à política dos governos que gerem a demografia, a economia, e a cultura do país em questão. Por exemplo, é sabido que os movimentos migratórios estão a desertificar o interior de Portugal. Ora não há cultura que resista num local onde as pessoas já lá não estão, onde os filhos estão num país, os avós noutro, os netos só conhecem o país de origem dos pais como o local de férias, e os bisnetos nunca saberão falar a língua original dos seus bisavós. Estamos a falar de um período de 100 anos no máximo. Em 100 anos nesta situação imaginem-se os valores (culturais e outros) que não se perdem. Agora imagine-se o que sucede em 300 anos. Mas não era sobre as consequências nefastas da emigração que queria falar, nem tão pouco da imigração que esse é um problema mais actuante nos grandes centros urbanos e que ataca de outro modo. O que pretendo falar é mesmo sobre a espiritualidade que o ocidente sempre teve e que continua a possuir. As marcas na materialidade ocidental da sua espiritualidade tão mal amada pelo poder. Este é o tema.

É certo: existe espiritualidade envergonhada no ocidente. As pessoas falam baixinho quando falam da sua religião (a não ser que pertençam à religião oficial do “reino”), têm medo de ser mal compreendidas quando falam de temas espirituais. É um facto. Tal como falam baixinho se algo as coloca no rol daqueles que não pertencem à maioria (as minorias são mal vistas. São criticadas, são silenciadas, são desmobilizadas, são esquecidas, são incomodas, são insubmissas e subversivas à democracia enquanto ditadura das maiorias e por isso quando são permitidas, são pelo menos mal toleradas pela “gerência”). A espiritualidade do ocidente continua a expressar-se como algo de que ele não consegue livrar-se apesar de todas as investidas politicas (vivemos num sistema de república laica) para que ela acabe de vez.

Nunca foram criados tantos mitos como na actualidade. Cada bem de consumo possui de valor mensagens codificadas que não são mais do que mitos veiculados pela publicidade e que o consumidor vai inconscientemente ritualizar ao adquiri-lo. Claro que este encantamento perde toda a magia quando o consumidor usa o bem pela primeira vez e denota inconscientemente que não atingiu o objectivo que estava patente na publicidade. E aí o bem perde o seu valor mítico para ser apenas um bem material para determinado uso, muitas vezes abandonado a um canto. É assim, aliás, que se faz aqui tanto lixo. Num outro plano, podemos ver que esta espiritualidade é no fundo um aproveitamento do materialismo para conseguir sobreviver. Quer dizer: a sociedade materialista de que fazemos parte, só sobrevive porque faz um aproveitamento parasitário da necessidade de espiritualidade do indivíduo – retirando-lhe a verdadeira espiritualidade fundada nos seus ancestrais e na sua cultura tradicional, acaba por criar o vazio espiritual necessário para preencher com os bens míticos de consumo que lhe pretende vender a troco de dinheiro ganho com a sua exploração laboral. Assim a espiritualidade não só não abandonou as sociedades ocidentais, como é ela que ingenuamente mantém e sustenta os seus regimes pseudo-democráticos e capitalistas.

terça-feira, julho 10, 2007

Deus©

A Igreja Católica foi a única igreja fundada por Jesus. Um documento de Bento XVI, hoje publicado pela Santa Sé, reafirma «a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja católica».

Depois dos Metallica®, da Coca-cola®, da Nike®, Adidas®, etc., eis que chega finalmente a vez de ser a Santa Corporação® (Igreja Católica®) a tomar medidas contra a contrafacção de deuses. Claro que os deuses são uma questão muito mais complicada, e nem sempre poderão ser visíveis a olho nu (olho excomungado® por se passear desprovido de trajes) as características que distinguem o verdadeiro-deus®.

Sublinhando que o documento hoje divulgado pretende «dar com clareza a genuína interpretação» sobre a constituição da Igreja fundada por Jesus, a Declaração é elaborada de forma singular, em jeito de pergunta e resposta. E logo se esclarece que é na Igreja do Papa de Roma que subsiste «a continuidade histórica e a permanência de todos os elementos instituídos por Cristo». Por isso, conclui que as comunidades protestantes não podem ser consideradas de Igrejas. Porquê? «não têm sucessão apostólica» – aquilo que Roma considera como uma linha sucessória, de continuidade entre os papas, desde S. Pedro – e por esta razão as Igrejas protestantes estão privadas daquele «elemento essencial».

Ficamos a saber que a principal diferença, é além do óbvio documento, é o facto de não haverem apóstolos®, os apóstolos® que criaram a Igreja®. Ficando assim quem não tem sangue de apostolo, condenado ao fogo eterno dos infernos® onde será cozido e a sua carne servida às fatias durante os bacanais presididos por Lúcifer. A não ser claro que se chegue com o tostão para a carteira do santo-sacro-velho-caquéctico-de-roupa-branca®.

Mas uma questão muito pertinente levanta-se desse mesmo fogo que coze de forma lenta e dolorosa a mente daqueles que não têm a cabeça cheia do sacro-santo-vento-do-paraíso® (pelo menos do católico®), para os mais desatentos chama-se a este fogo na linguagem corrente "pensar um bocadinho": Como que raio, é que, um deus® todo poderoso, criador do céu e da terra e de TODAS AS COISAS®, permite esta infâmia de se Lhe® copiarem a Igreja®?

Das duas uma, ou foi vitima da sua misericórdia®, e permitiu os rabianços do demónio, que tenta condenar os pobres seres humanos, incapacitados na sua pobre e misera ignorância de discernir o bem do mal, e neste caso temos a explicação do porquê dos professantes de outras igrejas estarem condenados ao inferno. Ou então as outras igrejas também foram criadas por deus®. Ou pior ainda, talvez sejam igrejas gémeas, separadas à nascença porque eram filhas de um pai rico e mãe pobre chamada Isaura e tiveram de ir viver com as amas, e quando descobrirem que são irmãs, vão viver em paz juntas e mais tarde podem vir a conhecer o seu irmão mais novo, chamado Islão, filho do mesmo pai, porque entretanto a mãe foi morta para encobrir a vergonha do adultério com uma mulher, ser pouco nobre.

Temos telenovela.

Resta saber o que pensam os responsáveis protestantes, quando conhecerem na íntegra o texto agora publicado por Bento XVI, no qual se reafirma que só na comunidade católica reside «a plena identidade da Igreja de Cristo».

Os protestantes prometem protestar seriamente e podem mesmo chegar a criar mais desacatos que os ciganos da feira de Carcavelos.

Bispos e padres zangados com a Segurança Social

Esta mais tenso do que nunca o clima entre a Igreja Católica e o Governo portugês. Os prelados não têm calado as críticas às políticas económicas que, segundo eles, têm levado ao aumento do desemprego e ao alastrar da pobreza em diversas zonas do País, enquanto o Governo, por sua vez, anda a passo de caracol na regulamentação da Concordata e coloca dificuldades aos acordos com as instituições de solidariedade.

Bem me parecia que eles se iam chatear, mas também é para ajudar os pobrezinhos, temos de dar o desconto.

A gota de água foi o facto de a Segurança Social, em diversos distritos, ter enviado cartas a padres para que efectuassem pagamento das respectivas contribuições, sem que o assunto esteja devidamente regulamentado no âmbito da Concordata.

Ena, coitados dos padres, os jogadores de futebol não pagam e agora os padres é que têm de pagar. Queriam ser os únicos a cobrar o dízimo.

Aliás, nesta questão da Comunicação Social, os bispos entendem que existe, da parte do Governo, intenção deliberada de prejudicar os Órgãos de comunicação de inspiração católica, com destaque para a Rádio Renascença.

Pena que o padre diz que não é clima de guerra, porque se o Sócrates bombardeasse a Rádio Renascença eu até era capaz de ir votar nele.

O Moisés nunca mais vem buscar esta gente esquecida para os levar para a terra prometida.

quinta-feira, junho 28, 2007

Igreja Católica perde exclusivo dos casamentos religiosos com efeitos civis

O Governo aprovou hoje a abertura da celebração de casamentos religiosos, com efeitos civis, a comunidades religiosas radicadas em Portugal há mais de 30 ano, terminando assim com o regime de exclusividade da Igreja Católica.

Até aqui parece bem, não fazia sentido nenhum num estado supostamente secular.

«A partir de agora, o casamento celebrado sob forma religiosa perante o ministro do culto de uma igreja ou comunidade religiosa radicada no país passa a produzir efeitos civis à semelhança do regime de casamento católico, sem prejuízo das especificidades resultantes da Concordata celebrada entre o Estado Português e a Santa Sé», declarou o ministro da Justiça, Alberto Costa.

Hum..., espero que não seja mais uma "Concordata" daquelas. A padralhada não costuma comer estas coisas e ficar calada, a não ser que ganhe algum com isso. Mas pode ser que não, pode ser que finalmente estejam a ser postos no seu lugar, o desespero do Supremo Radical Católico pode querer indicar isso mesmo.

Interrogado sobre os motivos da aplicação de 30 anos de permanência em Portugal para que uma confissão possa celebrar casamentos religiosos, com fins civis - decisão que exclui os novos cultos -, o ministro da Justiça declarou que se trata de um prazo que já vigora em Portugal.

Não se pode querer tudo, apesar de gostar muito de alguns "novos cultos", penso que ainda têm muito que andar.

Agora outra notícia:

Soares preside a Comissão de Liberdade Religiosa

Isto cheira mesmo a coisa comunitária. Comissão, Liberdade, Multicoisas, Mário Soares, só pode.

Mário Soares é "uma personalidade cujo contributo para a democracia e para a liberdade religiosa, assim como para o diálogo inter-religioso, é conhecido de todos os portugueses”.

Já sabemos o que é o dialogo inter-religioso (Cristianismo-Islamismo).

Afinal cheira-me que este "avanço" tem mesmo qualquer coisa a ver com o islão, este dialogo traz água no bico e vem lá de cima da Kaaba de Bruxelas.

Já sobre o número de confissões religiosas que vão passar a poder celebrar casamentos civis, o ministro da Justiça disse que serão três no plano imediato, mas recusou-se a identificá-las.

Eu cá já tenho a minha aposta.

segunda-feira, junho 18, 2007

Rótulos e classificação

Actualmente assiste-se a uma confusão por parte da nossa sociedade no que toca à selecção de bens, ideias, actos, etc., na ausência de um rótulo que permita facilitar o trabalho de identificação do conteúdo do objecto de identificação.

As pessoas parecem ter perdido a sensibilidade de emitir um juízo avaliador e delegam esse trabalho nos profissionais especializados neste tipo de assuntos.

Por exemplo, uma pessoa pode chegar ao ponto de lavar as embalagens que tem como destino a reciclagem, com a melhor das intenções e sem poder ser condenada, se não levarmos em conta o consumo de água, mas por outro lado, usar papel para limpar a casa em vez do tradicional pano ou esfregão. Este tipo de comportamento, surge porque enquanto a questão da reciclagem é publicitada e já foi interiorizada como sendo um comportamento cívica e politicamente correcto, o uso do pano ou outro método tradicional é "socialmente virgem", ou seja não existe opinião social sobre ele, estando ultrapassado higienicamente quando comparado com o papel superior por ser descartável. O mesmo se passa no que respeita à utilização do automóvel dentro das cidades quando comparado com o "demonizado" tabagismo.


Pois esta situação aparentemente devida à especialização, e provavelmente a outras coisas, deixa cada vez menos tempo e paciência, e diminui os hábitos de nos envolvermos em assuntos comuns com os quais não estamos em contacto no nosso mundo quotidiano.


Seria absurdo vender embalagens com produtos perigosos sem a devida identificação e sem se poder proceder a uma identificação rigorosa. No entanto, no que toca às questões ideológicas que dirigem a nossa sociedade é perigoso que sejam tratadas da mesma forma. A publicidade tal como a propaganda tendem a centralizar a atenção dos públicos mais no rotulo do que no conteúdo através da utilização dos chavões de sucesso, e exacerbar maniqueísmos quando chega aos momentos de escolhas. É muito fácil termos uma opinião sobre determinado conflito ou caso divulgado pela comunicação social, sobre as questões ambientais, o aquecimento global, a agenda dos governos, conflitos sindicais, etc. Raras vezes tomamos noção que na maior parte das vezes esta nossa opinião chega até nós através da opinião de um comentador de actualidade, que resume os factos dos acontecimentos e os traduz de forma clara e de consumo rápido à sociedade em geral. Basta que experimentemos analisar uma situação que não seja alvo de projecção mediática, e que não seja "digerida" pelos comentadores de serviço para se perceber que a decisão se torna muito mais complicada. Uma escolha em consciência é uma coisa trabalhosa, requer estudo, envolvimento, actuação, viragens de opinião e por vezes alguns actos de fé. No entanto, sempre consciente, para que posteriormente possa ser reconsiderada caso surjam novos dados, e evitar que se caiam em fanatismos.


Se pudesse apontar uma fragilidade da democracia, num país em que um cidadão pensa que um líder do PS Madeira, em campanha eleitoral, é partidário do PSD, certamente iria optar por esta, pois que maior perigo existe para a democracia do que enferrujar as armas do povo.


Tudo isto porque surgiu em conversa com um amigo, quando discutia-mos que opções temos senão votar desesperadamente nas mesmas cinco alternativas, e lhe disse que alternativas existem sempre ou pelo menos temos possibilidade de as criar, que errado é pensarmos que o mundo se restringe àquilo que conhecemos ou que pensamos que existe, e que o importante não era indicar-lhe um nome de um partido, como se fosse uma marca de medicamentos, até porque quase ninguém tem exactamente as mesmas ideias, que isso o ia levar certamente ao mesmo erro de gosto ou não gosto, o importante é sempre tentar saber primeiro o que se quer e só depois procurar meio de o conseguir.